O Cenáculo é o lugar onde Jesus institui o santíssimo sacramento da Eucaristia.
Durante o Grande Jubileu do ano 2000, pude celebrar a Eucaristia no Cenáculo de Jerusalém, onde, segundo a tradição, o próprio Cristo a realizou pela primeira vez. O Cenáculo é o lugar da instituição deste santíssimo sacramento. Foi lá que Jesus tomou nas suas mãos o pão, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: « Tomai, todos, e comei: Isto é o meu Corpo que será entregue por vós » (cf. Mt 26, 26; Lc 22, 19; 1 Cor 11, 24). Depois, tomou nas suas mãos o cálice com vinho e disse-lhes: « Tomai, todos, e bebei: Este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados » (cf. Mc 14, 24; Lc 22, 20; 1 Cor 11, 25). Dou graças ao Senhor Jesus por me ter permitido repetir no mesmo lugar, obedecendo ao seu mandato: « Fazei isto em memória de Mim » (Lc 22, 19), as palavras por Ele pronunciadas há dois mil anos. (São João Paulo II, Encíclica ECCLESIA DE EUCHARISTIA, 2)O Cenáculo é o local onde os Apóstolos entraram pela primeira vez em comunhão sacramental com Jesus.
No Cenáculo, os Apóstolos, tendo aceite o convite de Jesus: « Tomai, comei [...]. Bebei dele todos » (Mt 26, 26.27), entraram pela primeira vez em comunhão sacramental com Ele. Desde então e até ao fim dos séculos, a Igreja edifica-se através da comunhão sacramental com o Filho de Deus imolado por nós: « Fazei isto em minha memória [...]. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em minha memória » (1 Cor 11, 24-25; cf. Lc 22, 19).
A incorporação em Cristo, realizada pelo Baptismo, renova-se e consolida-se continuamente através da participação no sacrifício eucarístico, sobretudo na sua forma plena que é a comunhão sacramental. Podemos dizer não só que cada um de nós recebe Cristo, mas também que Cristo recebe cada um de nós. Ele intensifica a sua amizade connosco: « Chamei-vos amigos » (Jo 15, 14). Mais ainda, nós vivemos por Ele: « O que Me come viverá por Mim » (Jo 6, 57). Na comunhão eucarística, realiza-se de modo sublime a inabitação mútua de Cristo e do discípulo: « Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós » (Jo 15, 4).
Unindo-se a Cristo, o povo da nova aliança não se fecha em si mesmo; pelo contrário, torna-se « sacramento » para a humanidade, sinal e instrumento da salvação realizada por Cristo, luz do mundo e sal da terra (cf. Mt 5, 13-16) para a redenção de todos. A missão da Igreja está em continuidade com a de Cristo: « Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós » (Jo 20, 21). Por isso, a Igreja tira a força espiritual de que necessita para levar a cabo a sua missão da perpetuação do sacrifício da cruz na Eucaristia e da comunhão do corpo e sangue de Cristo. Deste modo, a Eucaristia apresenta-se como fonte e simultaneamente vértice de toda a evangelização, porque o seu fim é a comunhão dos homens com Cristo e, n'Ele, com o Pai e com o Espírito Santo. (São João Paulo II, Encíclica ECCLESIA DE EUCHARISTIA, 2)O Cenáculo é o local onde os Apóstolos e os Discípulos escolhidos por Jesus se reúnem, com a presença de Maria, para receber o Dom do Espírito Santo.
Edificada por Cristo sobre os Apóstolos, a Igreja tornou-se plenamente cônscia destas "maravilhas de Deus" no dia do Pentecostes, quando os que estavam congregados no Cenáculo de Jerusalém "ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, segundo o Espírito Santo lhes concedia que se exprimissem" (Act 2, 4). A partir desse momento começa também aquela caminhada de fé, a peregrinação da Igreja através da história dos homens e dos povos. É sabido que, ao iniciar-se essa caminhada, Maria se encontrava presente; vemo-la no meio dos Apóstolos no Cenáculo de Jerusalém, "implorando com as suas orações o dom do Espírito".
A sua caminhada de fé, em certo sentido, é mais longa. O Espírito Santo já tinha descido sobre ela, que se tornou sua fiel esposa na Anunciação, acolhendo o Verbo de Deus vivo, rendendo "o obséquio pleno da inteligência e da vontade e prestando o voluntário assentimento à Sua revelação"; ou melhor, abandonando-se totalmente nas mãos de Deus, "mediante a obediência de fé", 60 pelo que respondeu ao Anjo: "Eis a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1, 38). Assim, a caminhada de fé de Maria, que vemos a orar no Cenáculo, é "mais longa" do que a dos outros que aí se encontravam reunidos: Maria "precede-os", "vai adiante" deles. O momento do Pentecostes em Jerusalém foi preparado pelo momento da Anunciação em Nazaré. (São João Paulo II, Encíclica REDEMPTORIS MATER)No contexto de organização dos Cenáculos Marellianos, portanto, o Cenáculo é o momento em que a Igreja, reunida em pequenas comunidades, se confiam a Maria, São José e São José Marello para, conduzidos pela Divida Providência, empreenderem uma caminhada comum.
Aprendemos com São José Marello a pedir a constante presença de São José entre nós:
Indica-nos,ó José, o caminho, sustenta-nos a cada passa e conduze-nos para onde a Divina Providência quer que cheguemos. (São José Marello).A expressão "Marellianos" expressa também nosso entendimento de que a Divina Providência se manifesta em nossas vidas, entre outras formas, pela presença amiga dos Oblatos de São José e das Oblatas de São José, membros dad "nossas" Congregações, e na qual São José Marello certamente se manifesta.
Finalmente, podemos reunir os conceitos descritos acima e dizer que os "Cenáculos Marellianos" são uma manifestação concreta de organização dos Leigos Josefino-Marellianos que pretendem partilhar entre si a experiência do apostolado junto às Famílias e os Jovens, segundo o carisma de São José Marello e seus continuadores.
Sabemos que Deus, na sua pluraridade de carismas e formas de atuação, suscitou e mantém outras diversas formas de apostolado leigo que atuam em comunhão com as pessoas e as obras dos Oblatos e das Oblatas de São José. Pretendemos caminhar em comunhão com todas estas formas de manifestação.